Tempo

Conheci alguém depois da dor…

Eu tive um amor, mas que se foi. Eu poderia gritar para que ficasse, mas a minha alma já suplicava e ele não a ouviu. O meu coração se quebrou em pedacinhos miúdos. Busquei respostas para tentar amenizar aquela dor. Oh, meu Deus! Não era possível que quem planejei tudo, fizera aquilo comigo. Me senti como quem se joga de um lugar alto e se arrebenta no chão depois. Traição é algo imperdoável nos primeiros momentos – as vezes passamos uma vida inteira para perdoar. Ele só sabe que chorei por alguns dias, mas sequer imagina a intensidade daquela ferida que demorou anos para se cicatrizar, e toda vez que olho para ela – nos momentos em que paro para refletir – vejo o quanto fui forte, mesmo sem forças alguma. Se eu pudesse dizer algo para ele hoje, diria: O tanto que te amei não foi maior que a dor que me causou, mas passou. E desde então me acostumei com as partidas, sem me importar demais, pensava: “a porta da rua é serventia da casa”. E andei vivendo assim. O que uma só uma pessoa é capaz de nos fazer reflete muito em quem nos tornaremos. Não era por mal, mas eu não via o por quê de insistir em pessoas rasas para meu mar de sentimentos. Vai. Pode ir. Já era normal deixar a porta encostada, assim me poupava paciência de levantar e abrir para que se retirassem.É. O tempo realmente passou e já não mais recebia visitas de ninguém porque resolvi me trancar. Aí eu conheci alguém. Em um domingo atoa reencontrei um frio na barriga que não sentia mais. Me distraí e fugi daquela sensação. Os dias passaram – quase dez, pra ser mais específica – e de repente lá estava aquela pessoa se achegando para conversar. Mesmo com a minha eterna pressa de ser feliz, eu havia aprendido a esperar – não que tudo caíssem do céu – mas de esperar o tempo certo que eu já nem sabia quando seria. Os meses foram vindo, e apresentei todas minhas defesas para aquele moço. Sim, tentei a fundo afasta-lo. Caramba. Tão acostumada com quem se vai, não soube ter reação quando vi que ele escolheu ficar. E eu que antes buscava respostas para minha dor, hoje me vejo buscando respostas de como esse alguém conseguiu chegar assim, tão inexplicavelmente. Porque, para entrar e curiar o que se passa, têm muitos, mas poucos são aqueles que entram, sentam, ouvem, amam, ficam. Me encontrei perdida naquele sorriso tímido e naquela vontade de estar por perto. Não esperava estar escrevendo sobre este alguém que conheci num domingo atoa, e cá estou. Não sei quantas outras escritas farei sobre ele, mas só queria dizer que, embora venham pessoas para nos sugar, em algum canto sempre haverá quem nos transbordem. Não é bom sofrer, e disso sabemos bem. E que bom que Deus sempre nos apresenta pessoas que escolhem ficar, mesmo quando não merecemos. Enfim, a vida sorriu quando eu o conheci.

Tempo certo 
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2 comentários em “Conheci alguém depois da dor…

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