Vida

Era, lembra?

Eram nossos planos. Eram nossos sonhos. Eram nossas viagens. Eram nossos lugares prediletos. Eram nossos gostos similares. Eram nossas fotos no porta retrato da cabeceira da cama. Eram nossos olhares, conversas, risadas. Era eu e você. Era domingo à tarde em casa com aquela preguiça de sair. Era segunda-feira com aquelas ligações pela manhã desejando uma semana linda. Era sexta-feira à noite assistindo algum filme para conseguirmos ficar abraçados por alguns minutos antes de partir. Era nossa saudade. Era nosso aperto no coração por ficar uma semana sem se ver. Eram nossas preocupações. Eram os dias tristes que me tirava o sorriso, e eu tinha você para me consolar. Era minha empolgação por todas suas conquistas, e meu ombro amigo quando nada havia ido tão bem. Era eu aqui e você a quilômetros de distância de mim. Era, e de repente não é mais. E um, nada belo dia, tudo deixou de ser, e agora já não há mais esse tal de “nós”.Já ouviste aquela canção que diz, “a vida é trem bala parceiro” ? Sem dúvidas ela é. Era. E eu não te escrevo porquê sinto sua falta, te escrevo, pois, em minha mente veio aquele pensamento de que, alguns amores duram para sempre, outros não. Era para ter dado certo, mas talvez a lógica da qual eu tinha sobre certo, estava totalmente equivocada, e por isso deixou de ser, assim, tão naturalmente, como se nada tivesse acontecido entre nós antes – isso ficou bem claro quando você se virou, e se foi sem dizer adeus. E tudo que encaixava eu e você, e tudo que era incrivelmente apaixonante para quem nos via, passou a ser ao lado de outra pessoa. Eu não guardei rancor, e vejo o quão feliz você está sem mim, mas confesso, dá umas pontadinhas no peito ver que tudo que era nosso, passou a ser de outro alguém, como se os planos tivessem sido criados para este outro viver – e realmente está vivendo. Por tudo isso eu pensei, e concluí: não dá para planejar nada para o amanhã, que o gostoso mesmo é quando tudo acontece quando deve acontecer, que felicidade mesmo é ver o inesperado surpreender sem imaginarmos nada. É incogitável sofrermos, mas o amor é lindo demais para deixarmos que as pessoas o tornem obscuro. A luz que um dia iluminou a mim e a você, hoje ilumina você e ela, e desejo que ilumine por muitos anos. Ao contrário do que muitos pensam sobre o passado, o “eu e você” pode até não ter durado como queríamos, mas durou o suficiente para me fazer entender que as melhores coisas acontecem quando não esperamos mesmo, e que a dor é inevitável, e que nunca, em hipótese alguma, podemos deixar de querer amar outra vez.

Tempo certo

 

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