Tempo

A história de um desgaste

amor 2Ela era bem humorada, descontraída, apaixonada. Ele gostava de músicas americanas, despreocupado, um tanto sossegado – até demais. Ela era faladeira, ele impaciente. Ela era inteligente, ele devagar. Ela gostava de praia, ele de ficar em casa mesmo. Não podia se dizer que eram iguais, porque no fim ela o completava e vice-versa. Era muito mais comum ouvir sons de risadas durante suas conversas, pois era indiscutível a capacidade dela de conseguir fazer piada de tudo, até nas horas mais sérias. Ela sabia ser paciente, ao contrário dele, e quando algo a incomodava, preferia respirar fundo ao invés de ir e agredi-lo com palavras, depois disso, eles falavam a respeito e tudo virava graça no final. Mas ele era meio complicado, gostava de pensar demais, até que seus pensamentos ocupou aos poucos o espaço que ela tinha dentro de si. Sem perceber, ele se esqueceu que ela era o amor da sua vida. Começou então a indiferença, a frieza e a incompatibilidade, e isso tomou conta da relação. Nesse começo tenebroso ela até tentou se manter firme e compreensível, porém o amor é que nem uma árvore, você planta a semente, rega para crescer, e para que seu crescimento possa manter-se firme e forte, tem que sempre está cuidando. Ela notou que ele já não estava mais regando o amor, um ar seco entrou em seu coração, e no fim, lá estavam os dois se estranhando. Traição? Não. Acredito que a “síndrome da rotina” os invadiram. É irônico, porque no começo de tudo, fazer parte da rotina um do outro era algo tão bom. Acompanhar o serviço, estar presentes na hora das atividades longas e chatas de cálculos da faculdade. Ele se perdeu no caminho. Ela tentou não se levar. Eles tinham era que se orgulhar do tanto de tempo que estavam juntos e ter apenas uma ou duas brigas marcadas. Eles eram tão deles. Mas uma outra briga surgiu, e mais uma, e mais outra. Eles chegaram ao extremo da tristeza. Ela procurou motivos para entender o porquê de tudo aquilo, tentou encontrar aonde havia errado. Ele estava tão cheio e estressado do serviço, tão acumulado de problemas que sua alma se tornou pesada demais para a leveza que ela trazia, e assim, ele não soube mais ser o sossegado rapaz de antes.b505f711O desgaste os dividiram. Ali, os dois tinham se esquecido que também haviam vivido o extremo da alegria. Foram tantas gargalhadas; passeios; séries; músicas; mensagens; abraços; olhares; carinhos; longas e deliciosas conversas e, muitos momentos que lhes davam a sensação que ficariam juntos para sempre. Mas o sonho pareceu que acabou. Nem sequer mais conseguiam conversar de forma neutra. Ela não conseguia mais fazer piadas, aquela situação estava tão séria e não tinha graça alguma. Os dois se distanciaram. As fotos na cômoda do quarto dela estavam viradas para a parede. Os rabiscos mais românticos que ela fazia nos cadernos dele foram esquecidos numa gaveta. Eles precisaram de um tempo a sós, já que juntos não estavam achando a solução. Cada um para o seu canto. Depois de alguns meses ele reapareceu, tentou concertar seus erros, tentou ir convence-lá de voltar a sonhar junto com ele, só que para sua surpresa ela já não estava mais no mesmo lugar. Mudou-se para outro Estado, uma oportunidade de fazer uma pós surgiu, e para preencher todo o vazio que havia dentro do peito ela seguiu e foi embora. Ele ficou aqui, começou ler um pouco mais de romance – ela amava a leitura – começou a ir a praia nos feriados longos, que era o costuma dela. Ele começou a se dar conta de como tinha se esquecido do quão maravilhosa ela era, sentiu ardentemente sua falta e a paz que trazia. Ela estava lá estudando, trabalhando, e claro que com sua carisma e simpatia, fazendo grandes amigos, um rapaz até se encantou pelo seu jeito lindo de ver a vida, porém seu coração ainda pertencia a alguém, mesmo estando a quilômetros de distância. Ela não sabia o quanto ele havia mudado, ele não sabia no quanto seu sorriso estava radiante, e no tanto de coisas que aprendeu. Eles tinham uma amiga em comum, certa vez conversando ele perguntou dela para esta e do outro lado ela procurou saber como ele estava. Completou-se então um ano desde do dia que se separaram e que nunca mais haviam se visto. Ela voltou para a cidade numa tarde verão, logo seria festa de final de ano, praia e luz do luar. Os dois não sabiam bem se iriam se reencontrar, quando hora vai, hora vem, se trombaram, o coração faltou saltar para fora. Ficaram por alguns minutos estasiados e bilhões de pensamentos vieram à tona. Não existia mais mágoa em tudo que foi passado pelas suas cabeças, só saudades, muitas saudades. O amor havia superado, porque como é mesmo que Bíblia diz? “O amor tudo sofre, tudo crer, tudo espera, tudo suporta.” O tempo ruim passou e ele só conseguia enxergar a beleza da qual ela tinha e de como ela continuava iluminada. Ela até estranhou a barba crescida e o estilo social que ele estava usando. Como as coisas mudam em um ano, até o amor mudou, estava mais forte. Meses depois eles encontram a amiga em comum e a única coisa que eles lhe disseram foi que encontraram o amor de sua vida na mesma pessoa de antes. No fim, eles estavam certo quanto a sensação que sentiam, eles iriam de fato ficar juntos para sempre. Porque o amor venceu e quando permitimos que o amor entre verdadeiramente em nossas vida, ele sempre vence.

Tempo certo

 

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