Vida

A gente se acostuma, mas não deveríamos

garota pensativaVocê já leu o texto da autora Marina Colassanti, “Eu sei, mas não devia”? Se sim, irá notar a semelhança dos mesmos. Eu o li e depois de meses que o li parei e pensei, nos acostumamos com muitas coisas. A gente se acostuma, são tantas indagações, pois é, a gente se acostuma, mas não deveríamos. Nos acostumamos a acordar tão cedo, a trabalhar, chegar em casa em cima da hora para ir á faculdade, não ter nem tempo suficiente para respirar, a gente se acostuma, mas não deveríamos. Nos acostumamos com o serviço que não nos agrada mais que por conta da crise não há opções tão satisfatórias, a gente se acostuma, mas não deveríamos. Nos acostumamos a despencar na cama no fim do dia e não querer mais nada a não ser dormir. Nos acostumamos a viver com a síndrome do Fantástico – certa vez li uma matéria a respeito, creio que todos sabem sobre o programa da Rede Globo de notícias, o Fantástico. Durante a semana vemos seus comerciais e ficamos alegres por saber que o domingo preguiçoso está chegando, só que a tristeza toma conta quando o programa acaba por sabermos que o outro dia é segunda-feira e tudo começará novamente, a gente se acostuma a viver cinco por dois ou um, é a gente se acostuma, mas não deveríamos. Nos acostumamos a deixar a canseira tomar conta de nós, não participando mais com tanta frequência dos almoços em família, das saídas nas noites de sextas-feiras com os amigos. Nos acostumamos a apressar as coisas, a perder a paciência, a nos estressarmos no trânsito, a não saber esperar, a gente se acostuma, mas não deveríamos.pokerNos acostumamos a ser frio por outrora termos sofridos, nos acostumamos a ser rude com quem só nos dá amor, a gente se acostuma, mas não deveríamos. Nos acostumamos a ter medo da reciprocidade por termos nos doados por tudo e todos sozinhos. Nos acostumamos a ter receio da calmaria por termos vividos constantes tempestades, a gente se acostuma, mas não deveríamos. Nos acostumamos a esbanjar sorrisos, postura de “gente feliz”. Nos acostumamos a criar rugas de tanto sorrir e a esconder os choros, assim como muitos outros sentimentos, porque, como é mesmo que nossas mães diziam? Ah! “engole esse choro criança”, crescemos e não nos damos conta de quê aprendemos a reprimir-nos dessa forma, pois é a gente se acostuma, mas não deveríamos. E nessa de se acostumar com tudo que chega até nós, perdemos algumas pessoas, alguns momentos, algumas experiências e assim por diante. É certo que a alegria nos dá uma sensação boa, mas ela não ensina nada, somos programados para cair, sofrer, chorar, não podemos esconder, não podemos fugir. Quer ser feliz? Seja. Quer chorar? Chore. Eu sei que se conselho fosse bom não era dado, só que segura um aí: escolha bem as pessoas com quem você dividi seus ideais, sentimentos, euforias; tem gente que vem e suga tudo que nos restou, mas ainda há pessoas, mesmo nesse mundo vazio e cheio de costumes que vivemos, capazes de nos aceitar exatamente como somos, “seres humanos” e isso incluí não só qualidades, alegrias, confianças, mas também falhas, bagagens, passados e medos, pois no fim é disso que o ser humano é composto.

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