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A carta que não enviei

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Essa é uma daquelas cartas que nós escrevemos, apagamos, reescrevemos e não chegamos a enviar ao destinatário. São palavras vindas do coração que as vezes não devem ser dita a quem deve ouvir, porque de alguma forma, talvez, a outra pessoa não esteja mais conosco ou não queremos transparecer agora o que estamos sentindo. Quem sabe daqui um tempo, na dúvida, esta estará guardada caso eu resolva lhe enviar, caso tu resolvas ler. Eu não vou me preocupar tanto com a forma que será descrito o que meu coração está gritando para dizer, perdoa então a má escrita, pois estou a aprender como escrever com tanta verdade, assim como a amar de verdade.

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Eu gostaria te tentar prender sua atenção desde do início, por favor, não se vá, meu coração quer tanto falar com você. Não serei tão eufórica, porque pensando em lhe escrever me lembrei de tantas coisas. Eu era apenas uma menina quando comecei a sonhar com o amor, a acreditar que ele era real e possível. Cresci, não só aparentemente, mais através de experiências vividas. Eu esbarrei em paixões que no começo me tiravam os pés do chão e no fim me deixavam cair sozinha de uma altura que me espedaçava toda, roubando minha alegria por um longo período. Eu deixei o tempo passar, mas essas quedas enfraqueceu meu sonho, fechei a porta de entrada onde eu recebia feliz o amor, a placa de bem-vindo foi substituída pela a de indisponível, essa coisa de idas e vindas me cansaram, sosseguei. Por vários momentos afirmei para mim mesma que eu deveria ser forte, que teria de andar sozinha, porque olha, estamos vivendo em um mundo corrompido onde os princípios foram esquecidos, à velha e bela forma de amar foi transformada em um amor moderno que sinceramente, não me interessa nem um pouco. Por fora eu estava certa dessa afirmação só que lá no fundo do peito eu orava baixinho todas as noite pedindo á Deus que não permitisse que eu me tornasse fria, que não deixasse que eu me envolvesse com uma pessoa de coração moderno, vazio e errado.

acordando

Não me julga dizendo que não existe essa de pessoa certa, não que eu esperasse alguém perfeito que coubesse nos meu ideais – está bem, eu queria, até te conhecer. Sempre pensei que no início eu já descobriria tudo sobre a pessoa só para saber se ela se encaixava nas minhas fontes sonhadores da “pessoa ideal”. Você chegou e até então eu não tinha notado no quanto eu havia mudado. Procurei entender o porque de ser você, o contrário daquilo eu imaginei, alguém que mesmo sem querer, me ensina uma coisa ou outra, principalmente em ser paciente. Cara, pensa em uma pessoa que era extremamente estressada, apesar da pouca idade sempre se irritava por pequenas coisas, eu me tornei paciente depois de você. Me tornei compreensível o suficiente para conversar, ouvir e só depois dizer o que eu achava sem que eu magoasse a outra pessoa. Me tornei sábia nas palavras, o que torna qualquer relação saudável, onde nem o silêncio me incomoda – mais lhe dou uma dica: isso tudo não significa que me tornei ingênua ou que não percebo quando estão fazendo pouco caso de tudo que ofereço de bom. Muitas das vezes eu tenho visto em você uma insegurança, tão acostumado a ser cobrado, testado, irritado, você não sabe lidar comigo e minha calmaria, as vezes foge por não saber o que dizer, não sabe as palavras certas para usar, tem medo deste mar calmo, se isola, se esconde. Eu me afasto e te deixo pensar, passei da fase de sempre correr atrás; te deixo livre; dou espaço, porque aprendi que o que é pra ser, fica, e tudo que se vai teve sua missão enquanto esteve por perto, aprendi também que onde não existe reciprocidade, não se deve demorar. Realmente eu aprendo constantemente, mas confesso que seu medo tem me frustrado, as vezes assim como você penso em fugir, as vezes sua insegurança é tão grande que me deixa insegura também, estou sendo paciente, não berro; não corro; só que vê se não demora para se ajeitar, porque eu não vou me demorar se continuar assim.

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Talvez enquanto todo esse medo te oprime, você deixa tudo passar e quando se der conta irá ver que a melhor coisa que te aconteceu estava ali debaixo do seu nariz e não valorizou, é um aviso sim, eu estou prestes a ir embora para nunca mais voltar. E tudo que me tornei antes e depois de você adiantou alguma coisa agora? Eu me tornei alguém melhor para que eu pudesse aprender a amar de verdade como o amor sempre tenta nos ensinar, se estais assustado com toda essa paz que eu trago, talvez você não esteja pronto para amar. Eu me faço de forte, estou sendo forte, só que até os fortes em certos dias precisam de abraços, carinho, atenção, então eu lhe digo: eu esperei um amor a vida inteira, um amor que apesar das dificuldades pudesse ser bonito. Você consegue imaginar quantas outras pessoas ficariam felizes por saberem que alguém a esperaram por anos? Dê valor enquanto pode, pois onde não há reciprocidade, repito, não me demoro.

Tempo certo

 

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2 comentários em “A carta que não enviei

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